Deu positivo o exame de gravidez! E aí já começou a educação sexual da criança. Isso mesmo, ela inicia muito cedo, quando um casal sonha com todas as questões que envolvem a sexualidade em um grupo social, em um determinado lugar e num temo histórico. A sexualidade vem com marcas socioculturais.
A família é a principal responsável pela educação da criança, mesmo que não tenha clareza sobre essa função principal. Nela há afetos importantes e cuidados, atenções e modelos significativos. Quando o pai beija o filho crescido ou o avô, mostra ao menino que homens podem, sim, ter contatos afetivos com outros homens sem que isto implique em conotações sexualizadas genitalizadas, como afirma Enio Pinto (1999).
Quando a criança é alimentada com cuidado, a tempo e de modo tranquilo e carinhoso, aprende a confiar nos humanos. Aprende sobre prazer e para a vida toda buscará o mesmo. A criança vai crescendo, descobre o prazer de ser tocada e milhares de conexões neurais vão sendo organizadas em seu cérebro, o que a colocará em situação positiva em relação ao mundo.
Aprendendo pelo exemplo
É importante que cuidadores (pais, mães, outros) estejam atentos para as curiosidades e saibam que pequenos gostam de imitar tudo e , principalmente, beijos. Gostam de beijos e de falar das funções corporais. Procuram ver adultos em roupas íntimas e querem namorar. É claro, namorar em uma perspectiva infantil é diferente dos adultos. Namorar tem sentido de companheirismo e atenção.
Ensaiam até mesmo relações sexuais e muitas vezes chocam adultos, que não conseguem sair da sua posição adulta para ver, com olhos de criança, a questão que marca a influência poderosa da mídia. Nesse ensaio inocente para a criança, revela-se para o adulto, a preocupante estimulação que a mídia exerce, exigindo muito das emoções do pequeno e gerando angústias e anseios. Daí, acompanhar e conversar sobre programas de televisão e propagandas podem ser uma estratégia para conhecer o universo de sentimentos e curiosidades das crianças. Assim podemos acompanhá-las nessa aventura de descobrir-se e descobrir o mundo.
E não podemos nos esquecer das chamadas palavras feias. Quando elas aparecem, às vezes mel pronunciadas, é importante descobrir seus significados e orienta-las sobre seus efeitos no contexto social. As pessoas surpreendem-se com as muitas versões que as crianças têm para eventos e fatos relativos à sexualidade. Imaginam e por vezes preocupam-se com os mistérios que não conseguem decifrar. E os adultos significativos não podem perder esse momento. Brinquedos e brincadeiras variados apontam para papéis sociais, de gênero e familiares, além de ajudar a formar a arquitetura dos cérebros de homens e mulheres.
Perguntas! Ah! As famosas perguntas! Elas devem ser sempre escutadas com atenção e respondidas com honestidade, precisão, afeto e verdade. É importante lembrar que a família e a sociedade oferecem a base para que cada pessoa adote um referencial diante da sexualidade.
Para finalizar, destacamos Rubem Alves quando diz: "Borboletas vivem em casulos fechados só por algum tempo. De repente elas saem para a vida, para o voo, para o perigo, para a alegria". Assim, são as crianças. Então, é preciso ajudar a alçar voos em rotas mais seguras. Aceite o desafio!
CHAGAS, Eva Regina Carrazoni. A educação sexual na família. Jornal Mundo Jovem. Ano 47, n. 481, Outubro, 2009.
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